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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Portifólio : Um instrumento de aprendizagem e avaliação


O portifólio é um instrumento de avaliação formativa que reúne um conjunto de registros de trabalhos, observações, resumos, reflexões, experiências e outras produções do indivíduo, em sua trajetória acadêmica ou profissional, de modo que por ele sejam identificada competências, habilidades e atitudes que  esse indivíduo demonstra ter desenvolvido e adquirido durante sua formação ou atividade profissional.
Danielson e Abrutyn (1997) distinguem três tipos de portifólio:
  • dos trabalhos
  • de apresentação ou melhores trabalhos
  • de avaliação
Portifólio de Trabalho – é uma coleção dos trabalhos, cujo propósito é servir como um arquivo das atividades do aluno, que poderão futuramente ser selecionadas para compor outro tipo de portifólio. Pode ser usado para diagnosticar as necessidades do aluno e reorientar o ensino, pois o aluno e o professor poderão conhecer os pontos fortes e fracos do processo de aprendizagem em relação aos objetivos alcançados. Ao elaborar o portifólio e avaliar seu conteúdo, o aluno torna-se mais reflexivo e auto-orientado. este portifólio estrutura-se em torno de um conteúdo específico e documenta o processo de aprendizagem do aluno em relação ao seu domínio de objetivos esperados, o que pode ajudar no redimensionamento do ensino.
O Portifólio de apresentação ou dos melhores trabalhos - contém os melhores trabalhos realizados pelo aluno, podendo incluir atividades extra-escolares ( ex: participação em concurso ou evento científico, trabalho voluntário em Instituições Sociais etc.) Como aprendiz o aluno seleciona o que acredita ser importante para sua aprendizagem, o que valoriza e deseja mostrar a outros.
O portifólio de Avaliação – documenta o processo de aprendizagem do aluno: seus comentários sobre pontos trabalhados de acordo com os objetivos curriculares.
O processo de elaboração deste tipo de portifólio envolve as seguintes ações:
  • indicação dos objetivos curriculares a serem focalizados no portifólio;
  • explicação sobre o uso das informações contidas no portifólio;
  • estebalecimento das tarefas avaliativas em relação aos objetivos curriculares;
  • definição de critérios de avaliação para cada atividade desenvolvida;
  • determinação do avaliador de portifólio: apenas professores?
  • tomada de decisões com base nas avaliações do portifólio;
  • implementação de mudanças necessárias no processo ensino-aprendizagem.
O Portifólio, em sua construção, requer um título e uma apresentação que sirva de orientação para o seu leitor sobre o que ocorrerá, com relação ao processo.
As linguagens e os materiais utilizados no portifólio são livres, desde que coerentes com seu conteúdo. O Portifólio pode ser elaborado e apresentado por meio de vários suportes como: em pastas variadas, em livros encadernados, Cdrom, fita de vídeo, em forma de revistas, jornais, sites, criações artísticas, dentre outros.
“Portifólios são autênticas janelas à aprendizagem e ao pensamento dos alunos, cenários para questionar e explorar as práticas de sala de aula, além de fontes fecundas para debates, estudos e pesquisas no campo da educação.”
Otília Maria barbosa Siffert ( SENAC nacional )

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Evolução Funcional de Professor na Prefeitura de SP

 
Conheça como o professor evolui na carreira
Os servidores do quadro de magistério da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo contam com diversas possibilidades de evolução na carreira. Ao total, são 13 referências de vencimentos, que vão do QPE-11 a QPE-23, e cinco graus de progressão para os educadores (A, B, C, D e E). Os integrantes que possuem formação em magistério ou ensino médio ingressam na categoria QPE-11 A, que possui uma remuneração de R$2.899,66, e os diplomas de ensino superior na QPE-14 A, R$3.502,67. Ambas as modalidades podem chegar à QPE-23 E, R$7.942,36, todas as referências são para 40 horas semanais de jornada especial e básica.
A carreira do magistério municipal de São Paulo é constituída de duas classes: a dos docentes e dos gestores educacionais. O professor pode acessar aos cargos de gestão educacional mediante concurso ou ainda exercer cargos vagos para os quais não haja candidatos legalmente habilitados, ou em substituição nas situações de impedimentos legais e temporários de titulares. Os cargos de gestores educacionais (QPE-24) são de coordenador pedagógico, diretor de escola e supervisor escolar e que podem chegar até R$8.458,61 para aqueles com uma carreira superior a 24 anos.
A evolução na carreira pode ocorrer por meio do ingresso do docente ao quadro da rede e da evolução funcional, que é o enquadramento em referências de vencimentos imediatamente superior, de acordo com os critérios de: tempo de efetivo exercício na carreira, títulos e a combinação de tempo e títulos. O tempo mínimo de permanência em cada categoria é de um ano, para os servidores que irão ingressar na rede, ainda será necessário o estagio probatório de três anos de efetivo exercício, para depois pedir a primeira evolução.
Para a evolução por meio dos títulos, eles podem ser tanto presenciais quanto à distância, graduação, mestrado, doutorado, especialização latu sensu com carga horária mínima de 360 horas, extensão universitária de 30 horas e aperfeiçoamento com 180 horas. A publicação de artigos, livros ou projetos também pode levar a progressão da carreira.

Matéria Publicada na Folha Dirigida em 27/03/2015

Clique aqui e acesse o link para conhecer o material do CONAE2


CLIQUE AQUI e acesse o link atualizado 2015

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - Qual seria a causa?

Uma matéria no site da APEOESP, publicado no dia  29 de julho me chamou a atenção. 
Em uma de suas publicações na página do OBSERVATÓRIO DA VIOLÊNCIA, onde consta o registro   de uma variedade de ocorrências  em  escolas da Capital e interior de SP me instigou a  refletir sobre a causa da violência que vem a cada dia aumentando. Veja a matéria publicada:


Desigualdade gera agressões, diz Educação

Apenas neste ano, Apeoesp registrou 76% dos casos de todo o ano de 2013

A desigualdade social é vista como um dos fatores que levam ao aumento de casos de agressão a profissionais que atuam na educação em Limeira. Em todo o ano de 2013, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) registrou 43 casos. Neste ano, já foram 33 ocorrências.
Chefe do Serviço Social Educacional da Secretaria da Educação, Maria Helvira Andrade Martins cita que o cenário de desigualdade acaba refletindo na sociedade. "A sociedade brasileira, infelizmente, é muito desigual e quem acaba sofrendo esse reflexo é a própria sociedade. Falta educação às pessoas", disse.
Para o coordenador da Apeoesp Limeira, Edivaldo Mendes, o problema não está na falta de segurança nas escolas, mas no histórico e na estrutura familiar da criança. "Muitas vezes atinge pais e mães que já registram um histórico negativo. O problema, infelizmente, é a sociedade em que vivemos", disse.
Ainda segundo o coordenador, as consequências de uma agressão ou ameaça podem gerar sucessivos problemas para o profissional da educação e, consequentemente, também para o município."Uma agressão ou uma simples ameaça a um professor, por exemplo, causa reflexos negativos. Com essa situação, eles pedem afastamento das salas de aula. Com isso, são menos profissionais nas escolas. E isso gera um déficit", explicou.

ENFRENTAMENTO
Para combater ou diminuir os casos de agressão no município, a Secretaria da Educação busca, além de diálogos com os profissionais das escolas e com familiares dos alunos, a viabilidade de programas educacionais para o segundo semestre.
O último ato de agressão registrado aconteceu na semana passada. Uma monitora do Centro Infantil "Levy Pereira", no Jardim Glória, foi agredida com um soco no rosto por uma mulher. O motivo da agressão física teria sido uma discussão da profissional com a mãe de uma das crianças por causa de uma chupeta.
De acordo com a pasta, neste caso, foi aberto um diálogo com a monitora agredida e realizada a transferência dela para outra unidade. Já com as famílias, assistentes sociais deverão fazer o trabalho para reunir o histórico de cada uma. "Além disso, estamos desenvolvendo programas sociais para trabalhar junto com as famílias, agora no segundo semestre do ano", destacou Maria Helvira, da Secretaria da Educação.
Lucas Navarro - Jornal de Limeira - 29.07

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

DICAS PARA PASSAR NO CONCURSO

Para os " concurseiros "  de plantão, resolvi dar algumas dicas baseadas

 no 

Livro de William Douglas.


1) Motivação: Quem vai prestar concurso precisa de motivação. É o que faz com que os candidatos “segurem a barra” quando tudo parece difícil e recomecem quando algo dá errado. E a motivação é pessoal: cada um sabe o que lhe dá ânimo para prosseguir. Algumas fontes de motivação são: família (ajudar pessoas queridas, casar com a pessoa amada), estabilidade profissional, dinheiro, tempo (quanto melhor você estudar e tiver resultados mais rápidos, mais tempo você terá para fazer outras coisas). A motivação deve ser trabalhada diariamente, diz o professor e juiz federal William Douglas. Segundo ele, todos os dias você deve se lembrar dos motivos que o estão fazendo estudar, ter planos, persistir.
— Você pode criar técnicas para se animar. Eu usava uma xerox do contracheque de um amigo que já tinha sido aprovado. Quando eu começava a querer parar de estudar antes da hora, olhava o contracheque que eu queria para mim e conseguia estudar por mais um tempo. Conheço gente que tem a foto de um carro, de uma casa, uma nota de US$ 100, a foto de onde quer passar as férias de seus sonhos. E tem gente com foto da esposa, do marido, dos filhos — conta o professor.

2) Disciplina: O primeiro passo para quem decide se preparar para um concurso é fazer o tradicional quadro de horários, colocando nele todas as tarefas a serem realizadas. Este procedimento, garantem especialistas, facilitará as coisas, porque ajuda o candidato a estabelecer suas prioridades. É recomendável que se separe tempo para dormir, fazer exercícios físicos e dar atenção à família ou namoro. Sem isso, o estresse será mera questão de tempo. E depois de escolher quantas horas você vai gastar com cada tarefa ou atividade, evite pensar em uma enquanto está realizando a outra.
— Quando o cérebro mandar “mensagens” sobre outras tarefas, é só lembrar que cada uma tem seu tempo definido. Isto aumentará a concentração no estudo e o prazer e relaxamento das horas de lazer — garante Douglas.
— Geralmente, os concurseiros têm uma disposição incrível no começo da jornada e se desestimulam no meio ou na reta final, por isso é essencial que se separe um tempo para o lazer. Não se pode ficar bitolado no inicio e perder o foco ao longo da jornada — alerta o professor Carlos Eduardo Lima, do curso Progressão Autêntico.

3) Preparação para a prova: A preparação deve se iniciar pelo edital dos concursos anteriores. Assim, o candidato terá um roteiro de estudo, com as disciplinas que serão cobradas e a pontuação que cada uma terá na correção, podendo enfatizar algumas matérias mais importantes.
— Assim, quando o edital do concurso sair, basta complementar seu estudo com alguma novidade e intensificar o ritmo de preparação — afirma Fernando Bentes, diretor acadêmico do site Questões de Concursos.
4) Aprenda a fazer fazendo: Especialistas são unânimes em afirmar que a melhor técnica é a da prática: aprenda a fazer fazendo. A experiência constitui um excelente trunfo na hora de um concurso. Para fazer provas, existem duas maneiras: simulados e provas reais.
— O ideal é que o candidato faça as duas, ou seja, que treine fazer provas e questões e que se inscreva em todos os concursos para a área que deseja. Mesmo que ainda esteja começando a se preparar e não espere passar, vá fazer as provas — recomenda William Douglas.
O especialista sugere ainda que, de vez em quando, o candidato faça treinos especiais, resolvendo questões por um tempo um pouco maior (por exemplo, uma hora a mais) do que o que terá disponível no dia da prova, o que serve para aumentar sua resistência. Outra dica boa é fazer os simulados filantrópicos, cada vez mais comuns nos cursos preparatórios.

5) Resumos e cores: Especialistas sugerem que, ao estudar, o candidato faça resumos, esquemas, gráficos, fluxogramas, anotações em árvore, mencionados no item abaixo.
— É comprovado que o aprendizado é maior com a prática da escrita, então abuse dos resumos e fichamentos para fixar o conteúdo — frisa o professor Carlos Eduardo Lima, do curso Progressão Autêntico.
William Douglas ressalta que o uso de mais de uma cor nas anotações é proveitosa, pois estimula mais a atenção e o lado direito do cérebro:
— Alguns alunos gostam de correlacionar cores com assuntos ou com referências. Por exemplo, o que está em vermelho são os assuntos mais "quentes" para cair, o que está em azul são exceções, princípios na cor verde, e assim por diante. Dessa forma, as cores também funcionam como uma espécie de ícone.

6) Amigos de alto astral: Esteja perto de pessoas positivas e com objetivos semelhantes, recomenda William Douglas:
— Evite muito contato com pessoas que não estejam trabalhando por seus sonhos, que vivam reclamando de tudo. O canarinho aprende a cantar, ouvindo outro canário. E canários juntos cantam melhor.

7) Na hora da prova: Simplicidade e objetividade são indispensáveis na prova, junto com o equilíbrio emocional e o controle do tempo. Para passar, lembre-se que você precisa responder àquilo que foi perguntado. Leia com atenção as orientações ao candidato e o enunciado de cada questão. Nas respostas, utilize linguagem técnica, alerta William Douglas. A linguagem de prova é formal, não se deixe levar pela coloquial. Fique atento à correção: tão ruim quanto uma letra ilegível é uma letra bonita, mas com erros de português. E seja humilde: não queira parecer mais inteligente que o examinador ou criticá-lo.



Minha experiência: Prestei diversos concursos, passei em alguns e outros não.




No período de 2009 ao atual (2014) - estudo para os concursos de Professor de Educação Básica.
Atualmente trabalho desde 2011 na Secretaria de Educação do meu Município, onde ministro cursos de informática para os novos servidores. Aguardo ser chamada nos outros concursos que passei.
Sei o quanto é grande a frustração por não passar, pois sonhamos com uma carreira, condições melhores de vida etc...

Mas... não desistam!!!


Itens que considero importante:

  • Foco - Perseverança > sempre
  • Aprender a estudar corretamente > Aprendi que não temos a necessidade de ler todo o texto de um certo tema, mas ir na palavra chave, no cerne da questão. (Pulei as introduções... sabe aquela história que é contada??? Em mil e tró ló ló.... 
  • Anotava somente o que era importante.
  • Nota-se: Existe diversos autores discutindo um mesmo tema > Se atente para o Fundamento, a base de tudo.
  • Chega uma hora que você começará a perceber que o discurso é praticamente o mesmo, só muda o autor.
  • Leve água para a sala de prova
  • Chocolate para ativar o sistema cerebral (comprovado cientificamente)
  • Não estude um dia anterior, relaxe e se ocupe com coisas boas...


Hoje aguardo ser chamada em três concursos  de diferentes Prefeituras  mais  1 concurso do Estado de São Paulo e esse ano de 2015 passei no SESI e atualmente trabalho concursada!

Espero ter ajudado!


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Como calcular a nota da prova de Prof. Temporário do Estado.

1. A pontuação máxima pelo tempo de trabalho a ser contabilizada na nota da prova para atribuição de aulas para professores temporários e para candidatos à contratação será de oito pontos. Cada dia trabalhado na rede corresponderá a 0,004 ponto. A informação é da Secretaria de Estado da Educação.



A avaliação permitirá que os professores participem do processo de atribuição das aulas que serão dadas no ano que vem. Quem ainda não é contratado, mas deseja trabalhar na rede, também deve fazer o exame.


Será preciso acertar metade da prova, que vale 80 pontos. Mas, considerando que o tempo de serviço será somado à nota, a regra permite que os docentes que acertarem 40% (32 pontos) da prova e tiverem cinco anos e meio de dias trabalhados possam chegar à nota de corte.


fonte:http://www.saopaulo.sp.gov.br/


Fazendo as contas temos o seguinte :


Valor da prova 80


Número de questões 60


Valor aproximado de cada questão +/- 1,33


Regra é – nº de acertos x 1,33 = total de pontos


Exemplos:


60 acertos x 1,33 = 79,8 ( 80)


50 acerts x 1,33 = 66,5


40 acertos x 1,33 = 53,2


35 acertos x 1,33 = 46,55


25 acertos x 1,33 = 33,25 não alcançou os 40 pontos , mas poderá juntar o tempo de serviço para chegar a nota de corte.








segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Projeto Peixes ( pedagogia vivencionista )

Modelo de Projeto realizado pela professora de Ed. infantil Juliana Leite.

Para mim, esse foi um dos projetos vivencionis­tas mais marcantes da turma. As crianças escolheram, por meio de votação, estudar “peixes”, algo que chamou muito a atenção principalmente pela unanimidade da turma. A justificativa dos alunos para a escolha foi que eles con­sideram esse animal um dos mais legais, o que os deixou curiosos para pesquisar e descobrir mais.

Uma vez definido o tema, começamos a trabalhar na execução do mapa do projeto. Lançamos juntos várias questões e hipóteses, sempre a partir da percepção das próprias crianças. A curiosidade que tinham pelos peixes ficou clara através das colocações que eles faziam e em cada nova dúvida ou pesquisa que propunham nessa eta­pa do projeto.

Em seguida, foram oferecidos ao grupo materiais dos mais diversos. Dentre todos, os mais utilizados foram revistas técnicas/específicas sobre pesca e livros que tratam de animais e conhecimentos gerais.

Ao mesmo tempo, com a ajuda dos pais, as cri­anças buscaram e trouxeram para a escola várias infor­mações sobre particularidades da vida, dos hábitos e do aspecto físico dos peixes, tais como habitat, alimentação, revestimento do corpo, etc.



Uma das perguntas do mapa que mais as intriga­va dizia respeito ao corpo dos peixes. Como as crianças nessa idade ainda necessitam e se interessam muito pelo concreto, nada mais interessante para resolvê-la do que ter um peixe de verdade em sala de aula. Foi isso o que aconteceu: trouxemos um peixe direto da feira para a es­cola e, com ele ao alcance de suas mãos, as crianças puderam observá-lo, tocá-lo e analisá-lo.

Desse experimento, elas tiraram várias informa­ções: ao perceberem a textura do peixe, descobriram que aquilo se tratava de escamas e puderam observar que era diferente de outros animais, que tinham pelos ou penas. Além disso, as crianças queriam saber como os peixes respiram debaixo d’água e viram que, ao invés de nariz, eles usam as guelras.

A cada dia e a cada etapa cumprida, a turma demonstrava mais empenho. Era muito divertido, contagiante e gratificante vê-los trabalhando em equipe na sala de aula e buscando ajuda de parentes e amigos pa-ra que nossas metas fossem cumpridas da melhor forma possível.



Um dos pontos altos deste projeto foi a escolha da sua atividade de conclusão: a compra de um aquário para que fosse possível criar um peixinho de verdade, e mantê-lo como mascote da turma.



À medida que essa decisão tomava corpo, tivemos muitas conversas e utilizamos vários outros processos de votação para que, em democracia, pudéssemos decidir cada questão a respeito da conclusão, como a cor, a raça, o sexo e o tamanho do peixe, entre outras.

A turma optou por um peixe vermelho. Assim, uma das atividades de pesquisa preliminares nessa fase foi a de descobrir quais os peixes dessa cor que existem em água doce. O tamanho também seria um fator importante a ser observado, já que o peixe eleito teria de caber em um aquário de dimensões aceitáveis para os espaço disponível na escola. Aqui, aprofundamos nosso estudo em matemática para calcular quais medidas de aquário se­riam aceitáveis para o espaço que tínhamos disponível.



Principalmente para responder a essas dúvidas e para escolherem o peixe adequado, as crianças resolveram fazer uma visita à loja de animais. Para isso, foi necessário pedir autorização e o dinheiro necessário para o transporte para os pais. O uso da linguagem escrita foi trabalhado com elas enquanto criavam o bilhete com o pedido de au­torização e a comunicação oral foi desenvolvida quando os alunos precisaram entrar em contato com o motorista que os levaria até a loja.



Lá, os alunos conversaram com um responsável, que os indicou qual peixe poderiam adquirir que fosse vermelho e macho, características que eles já haviam de­cidido em votação. Os alunos puderam também relacionar os itens que teriam que comprar e seus preços. Assim, pudemos calcular o valor que seria necessário para a compra. Através dessa atividade, trabalhamos a matemática e a linguagem quando relacionamos em uma lista o nome dos materiais, seus preços e calculamos o valor total.



De volta à escola, interações entre os alunos em classe foram marcantes, baseadas essencialmente em discussões sobre como conseguir o valor necessário para a compra do aquário e do peixinho-mascote.



Quanto a isso, os alunos encontraram na culinária a solução do seu problema e, conforme sugerido por uma das crianças da turma, eles decidiram fazer gelatina para vender.



Primeiro, fizemos um teste para ver quantas por­ções conseguiríamos fazer com uma receita de gelatina para calcularmos quantas teríamos que vender. Para isso, fizemos uso da matemática concreta: usando pequenos materiais que representassem os preços que descobrimos em nossa visita, calculamos quantas gelatinas deveríamos vender pelo valor de 1,00 real.



Depois, as crianças organizaram a venda. Essa atividade deixou a turma toda, inclusive a professora e fun­cionários da escola, muito empolgados devido à grande satisfação de ver o sucesso do empreendimento das cri­anças: os pais pediram mais gelatinas e eles tiveram que organizar um segundo dia de vendas, o que os rendeu o dobro do valor que eles precisavam.

Devido ao maior valor que conseguimos, pudemos comprar dois peixinhos de cores diferentes – e não apenas um –, um aquário maior e todos os itens pesquisados que seriam necessários para a manutenção desses animais.



Chegava então o momento de montar o aquário. O empenho e a animação dos alunos durante os prepara­tivos e a montagem mais do que surpreendeu: emocionou a todos. Particularmente, confesso que foi uma das ativi­dades mais gostosas, com resultado mais recompensador que experimentei até então. O brilho no olhar das crianças não deixava esconder o encantamento com as atividades.

Enquanto professora, acompanhei com grande prazer a evolução daquelas crianças, tão pequenas no ta­manho, mas ao mesmo tempo tão desenvolvidas e, por muitos momentos, tão maduras para a idade!

Até as crianças mais tímidas desenvolveram-se muito na arte de se comunicar, através da necessidade do uso de telefone, carta, email e até por fax durante os momentos em que precisamos pesquisar sobre os peixes, sobre os preços e materiais necessários, além dos pedi­dos de autorização para os pais e diretoria da escola.



Vale salientar aqui a inestimável colaboração de todos os pais. A intensa participação deles, com ações concretas e principalmente pelo apoio que deram a seus filhos, foi de extrema importância para o excelente resul­tado alcançado.



Por meio deste projeto, pudemos experimentar de maneira bastante clara os ideais da ideologia vivencionista: não se ater apenas à formação imediata e ao desen­volvimento de atividades puramente acadêmicas, mas de trabalhar para também impactar, direta ou indiretamente, na preparação dessas crianças para uma atuação mais sustentada no futuro.



Valores importantes puderam ser evidenciados nessas atividades, como o autoconhecimento da turma enquanto equipe, e de cada aluno como membro de um grupo, desenvolvendo um forte senso de colaboração e de trabalho em equipe que será fundamental para o seu futuro profissional.

De forma objetiva, a classe experimentou conhecimentos complementares importantes, dentre eles a reflexão sobre os diversos estilos de comunicação, afinal tinham objetivos muito claros a atingir, fosse na venda de suas gelatinas, fosse na pesquisa de preços e materiais. Desenvolveram também o exercício e a compreensão das diferentes formas de liderança e das responsabilidades de se tomar decisões em grupo, aprendendo a respeitar a di­versidade de opiniões e as diferenças. As crianças mani­festaram uma grande maturidade ao conseguir decidir em grupo questões como a escolha do peixe.

Particularmente, fiquei bastante satisfeita com os objetivos que a turma alcançou com esse projeto, pelo as­pecto da formação escolar e também sob a ótica do de­senvolvimento de competências pessoais e interpessoais de comunicação, pela dinamização do grupo/classe e pela intervenção criativa e inovadora de cada um dos alunos.




Juliana Leite





Professora de educação infantil





O professor vivencionista



Pedagogia Vivencionaista

A Pedagogia Vivencionista




A escola como ela é hoje não motiva alunos, professores, diretores e nem mesmo pais. Ela segue um determinado modelo que não gera interesse pelo aprendizado e não incentiva inovações. As aulas são pré-planejadas, sem a participação do aluno e, muitas vezes, nem mesmo do professor. Com aulas assim, o resultado fica limitado.

Para mudar esse desinteresse, devemos dar ao aluno a liberdade de escolha, através da qual se cria um interesse pelo aprendizado e, com isso, aprende-se mais e melhor.

Tendo como base a liberdade de escolha e a busca pela felicidade, a Pedagogia Vivencionista desenvolveu-se para permitir que a vida entre em sala de aula por todos os meios possíveis.

Conectando a escola ao mundo, ensinamos aos alunos através da vivencia real de problemas e empreendimentos reais. Estamos falando em dar liberdade para o aluno criar, e deixar que ele descubra o que deve aprender para atingir suas metas.

Em síntese:

Trata-se de uma nova abordagem pedagógica, onde o aluno aprende através de projetos/empreendimentos decididos e conduzidos por eles mesmos. Rapidamente: Os alunos decidem estudar sobre as cavernas, exploram o assunto e decidem visitar uma caverna. Para que seu empreendimento ocorra, precisam de dinheiro, e por eles mesmos, decidem fazer um teatro aos pais e vender as entradas e as pipocas. Com o dinheiro em mãos, negociam o transporte, estudam o trajeto, escrevem solicitações de autorização, desenvolvem o cronograma da viagem, entre tantas outras coisas. Ou seja, aprendem matemática, português, geografia, ciências, entre outras disciplinas. Além disso, desenvolvem o empreendedorismo, a comunicação, a inteligência emocional, entre outras habilidades, através da vivência de projetos criados e desenvolvidos por eles mesmos com a supervisão do professor.



A Conduta dos professores e dos pais
Como lidar com o aluno de forma a dotá-lo com características que se tornarão os alicerces para o seu sucesso no futuro?

Pense como criança. Quais são os seus interesses? A criança precisa brincar, rir, sonhar, aprontar, testar os adultos, imaginar, construir, desconstruir, investigar… Precisa de tudo isso e do respeito dos pais e professores pelos seus sentimentos e ações.

Elas são seres humanos completos e complexos, possuem sentimentos tal como um adulto. Por mais que, para nós, as situações possam parecer bobas e irrelevantes, para as crianças elas são muito importantes.

Respeitar a infância é fundamental. Esse respeito não se trata de entregar as respostas para as crianças ou fazer tarefas simples por elas. Trata-se de ter paciência com as suas limitações, incentivar o seu desenvolvimento, a sua busca pelas respostas e até mesmo pelas próprias perguntas.

A criança pode e deve ser o agente ativo de sua aprendizagem. Para isso é preciso que ela tenha o poder de escolha, que pergunte, responda, que avalie, corrija, tente novamente, que aprenda.


A metodologia passo a passo e os projetos vivencionistas

Muito se tem falado ultimamente sobre o ensino através de projetos. Podemos encontrar usos que variam desde o envolvimento de toda a escola em datas comemorativas até escolas mais arrojadas que os usam como base de seu desenvolvimento pedagógico. Grande parte desses projetos, porém, não dão ao aluno muita liberdade: tanto o tema quanto o andamento dos projetos são determinados pelos adultos, e as crianças continuam limitadas a aprender somente aquilo que lhes é passado.

Para que os alunos estejam presentes de corpo e alma durante as aulas, é preciso, antes de mais nada, que os projetos despertem a motivação dos alunos e que tragam consigo um significado – o aluno precisa querer aprender e entender porque está sendo feita aquela atividade.

Os alunos, quando impulsionados por seus próprios anseios, adquirem motivação ao se depararem com problemas, necessidades e curiosidades, e constroem eles mesmos o conhecimento necessário para resolvê-los ou saná-los.


Como colocar uma educação assim em prática?

O nome “Pedagogia Vivencionista”, usado para nomear nossa metodologia, vem do fato de que, através dela, deixamos a vida entrar em sala de aula para que os alunos possam vivenciar problemas e situações reais e, através deles, desenvolver seu aprendizado.

Cada projeto vivencionista segue uma sequência de etapas, cada uma com objetivos definidos:

Fase I Escolha do Tema Diferente do que muitos pensam, o tema a ser estudado trará a abordagem de assuntos variados. Por isso ele pode ser escolhido pelas crianças.
Esta escolha acontece através da exposição de materiais diversos, em que as crianças exploram um kit de materiais que as apresente um mundo maior do que o universo infantil que as cerca. Conhecendo um novo mundo, as crianças sugerem os temas que chamaram a sua atenção e que gostariam de estudar. Tendo uma lista com todos os temas sugeridos, começa-se um debate em que cada aluno defende a sua idéia. As crianças mostram-se abertas a mudar suas escolhas caso outro tema as interesse mais e, por isso, depois dessa defesa, é feita uma votação através da qual se decidirá qual o tema do novo projeto.


Fase IIExploração do tema – A fim de adquirirem um repertório mínimo a respeito do tema escolhido, as crianças desenvolvem um “mapa do projeto”, que é um registro de todas as suas questões e hipóteses sobre o tema. Esse mapa serve como uma lista de tarefas para as pesquisas iniciais: deve-se deixá-los encontrar meios para responder suas próprias perguntas. Tendo conhecimento suficiente sobre o tema escolhido, os alunos já estarão prontos para decidir aonde querem chegar com o projeto.


Fase III – Empreendimento – Esta é a fase em que o projeto realmente acontece. A atividade de conclusão é o objetivo final do projeto e, por possuir uma maior complexidade, os alunos deverão desenvolver uma série de atividades e experimentos para conseguir concluí-lo. As crianças já decidiram o seu objetivo e estão abertas a desenvolver as atividades necessárias para chegarem aonde querem. Com a ajuda do professor, elas analisam os caminhos a serem tomados e o planejamento de suas atividades. As situações não são criadas pelo professor: são necessidades genuínas dos projetos que geram oportunidades de ensino de diversas áreas do conhecimento. O término do projeto ocorre quando a atividade de conclusão é realizada.

Fonte:www.vivencionismo.com.br




















sábado, 13 de novembro de 2010

Construtivismo: O que é ?

Em síntese: o que é o Construtivismo ?


O Construtivismo é uma teoria. Não podemos dizer que se trata de um mero modismo, como ouvimos muitas vezes nossos professores dizerem. Trata-se de uma teoria e como tal, pode, como qualquer outra teoria, ser substituída ou modificada radicalmente por outra.

O quê é sócio- construtivismo?

O Sócio-construtivismo propõe construir o conhecimento baseando-se nas relações dos alunos com a realidade, valorizando e aprofundando o que a criança já sabe. O conhecimento e a inteligência vão se desenvolvendo passo a passo, num processo de construção que é tão importante quanto o próprio conhecimento.

O professor é responsável por ajudar o aluno neste processo. As crianças crescem mais críticas e capazes de aprender por si. A criança é incentivada a desenvolver o senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado.

 
 
"... A minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos

olhos que olham, dos ouvidos que escutam,


há uma criança que pensa" (Emília Ferreiro)


Emilia Ferreiro, psicóloga e pesquisadora argentina, radicada no México, fez seu doutorado na Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget e, ao contrário de outros grandes pensadores influentes como Piaget, Vygotsky, Montessori, Freire, todos já falecidos, Ferreiro está viva e continua seu trabalho. Nasceu na Argentina em 1937, reside no México, onde trabalha no Departamento de Investigações Educativas (DIE) do Centro de Investigações e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional do México.

Fez seu doutorado sob a orientação de Piaget – na Universidade de Genebra, no final dos anos 60, dentro da linha de pesquisa inaugurada por Hermine Sinclair, que Piaget chamou de psicolingüística genética. Voltou em 1971, à Universidade de Buenos Aires, onde constituiu um grupo de pesquisa sobre alfabetização do qual faziam parte Ana Teberosky, Alicia Lenzi, Suzana Fernandez, Ana Maria Kaufman e Lílian Tolchinsk.




Por quê esse modelo teórico foi implantado e implementado principalmente nas escolas públicas?

Esse modelo de aprendizagem parte do pressuposto de que a alfabetização é a aprendizagem do sistema de escrita e da linguagem escrita em seus diversos usos sociais, porque considera-se imprescindível a aprendizagem simultânea dessas duas dimensões.


A língua é um sistema discursivo que se organiza no uso e para o uso, escrito e falado, sempre de maneira contextualizada. No entandto, uma condição básica para ler e escrever com autonomia é a apropriação do sistema de escrita, que envolve, da parte dos alunos, aprendizagens muito específicas. Entre elas o conhecimento do alfabeto, a forma gráfica das letras, seus nomes e seu valor sonoro.
 
Tanto saberes sobre o sistema de escrita como aqueles sobre a linguagem escrita devem ser ensinados e sistematizados. Não basta colocar os alunos diante de textos para que conheçam o sistema de escrita alfabético e seu funcionamento ou para que aprendam a linguagem escrita. É preciso planejar uma diversidade de situações em que possam, em diferentes momentos, centrar seus esforços ora na aprendizagem do sistema, ora na aprendizagem da linguagem que se usa para escrever.
 
Ler e escrever não se resume a juntar letras, nem a decifrar códigos: a língua não é um código - é um complexo sistema que representa uma identidade cultural. É preciso saber ler e escrever para interagir com essa cultura com autonomia, inclusive para modificá-la, do lugar de quem enuncia e não apenas consome.
 
O desenvolvimento da competência de ler e escrever não é um processo que se encerra quando o aluno domina o sistema de escrita. Ele se prolonga por toda a vida, com a crescente possibilidade de participação nas práticas que envolvem a língua escrita, o que se traduz na sua competência de ler e produzir textos dos mais variados gêneros. Quanto mais acesso à cultura escrita, mais possibilidades de construção de conhecimentos sobre a língua. Isso explica o fato de as crianças com menos acesso a essa cultura serem aquelas que mais fracassam no início da escolaridade e, como já dissemos, as que mais necessitam de uma escola que ofereça práticas sociais de leitura e escrita
 
Por fim, o objetivo maior é possibilitar que todos os alunos se tornem leitores e escritores competentes, com uma escola inclusiva, que promova a aprendizagem dos alunos das camadas menos privilegiadas da populção.
 
 
 
 

 

 
 














Método Fônico


Método fônico, que associa letras a sons





Jogo de percurso - Cada criança retira, em sua vez, um pequeno cartaz de uma caixa de papelão. No cartaz há uma figura desenhada (pode ser um animal como camelo, um veículo como trem, um brinquedo como boneca, e assim por diante). A professora pergunta ao grupo qual o nome da figura. No grupo, uma criança pode saltar à frente é gritar. “É um camelo!”. As demais, naturalmente, repetem o nome do animal na figura. A professora então pergunta quantos sons tem essa palavra e pede para contarem todos juntos /c/ /a/ /m/ /e/ /l/ /o/ dizem eles (no método fônico as crianças não pronunciam os nomes das letras, mas sim seus sons!). “Então, vamos contar quantos sons tem essa palavra?”, estimula a professora. Enquanto pronuncia os sons todos de novo, ela vai mostrando os dedos um a um. Nesse ponto uma criança do grupo (uma qualquer, já que sempre é espontâneo e voluntário) salta à frente e diz: “Tem 6, professora! Tem 6 sonzinhos!”. Isso, diz a professora. E pronuncia, enquanto conta com os dedos. “Então, pessoal, quantas casas o Júnior vai andar?” “Seis casas!”, gritam todos. (por Fernando César Capovilla, professor associado em psicologia experimental humana do Instituto de Psicologia da USP, via e-mail)





Construtivismo X Método Fônico - Telma Weisz e Fernando Capovilla

Construtivismo x Método Fônico - Telma Weisz e Fernando Capovilla

Folha de São Paulo, Antônio Gois
6.3.2006
19h10

A decisão do Ministério da Educação de rever os métodos de alfabetização propostos nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) reavivou um debate que opõe, de maneira ferrenha, construtivistas e defensores do método fônico. Os PCNs orientam o trabalho do professor. Os atuais foram feitos em 1997, sob influência do construtivismo.

O método fônico baseia-se no aprendizado da associação entre fonemas e grafemas (sons e letras) e usa textos produzidos especificamente para a alfabetização. O construtivismo não prioriza essa associação e trabalha com textos que já façam parte do universo infantil.

Veja trechos das entrevistas do professor do Instituto de Psicologia da USP Fernando Capovilla, defensor do método fônico, e da educadora Telma Weisz, adepta do construtivismo, à Folha:

"Modelo é eficaz para fortalecer o raciocínio"

DA SUCURSAL DO RIO

Folha - Por que o debate entre fônicos e construtivistas é tão acirrado no Brasil?

Fernando Capovilla - Descobertas revolucionárias com novas tecnologias, como a neuroimagem funcional, refutaram os pressupostos construtivistas e levaram à revolução fônica que mudou a alfabetização mundial nos anos 90.

Baseados em pesquisas de ponta, documentos oficiais franceses, ingleses e americanos defendem a alfabetização fônica e condenam as práticas construtivistas como nocivas à aprendizagem. Declaram que seus alunos, sob o construtivismo, amargaram mais de uma década de mediocridade, e só prosperaram com o fônico. Entre 1995 e 1997, quando o mundo civilizado condenava o construtivismo como lesa-juventude, o Brasil, na contramão, o entronizava nos PCNs em alfabetização.

O establishment construtivista dominou com mãos de ferro as principais publicações distribuídas ao professorado à custa do erário para impor a sua doutrina construtivista.

resultado dessa aposta cega foi imediato, com fracasso crescente documentado bianualmente pelo Saeb [exame do MEC que avalia a qualidade da educação] de 1995 a 2003, e com a vergonha internacional, com a pecha de vice-recordista mundial de incompetência, segundo teste da Unesco e da OCDE em 2003.

Folha - O método fônico já foi utilizado no Brasil, e a repetência era altíssima. Por que voltar ao que não deu certo?

Capovilla - O método que o Brasil empregava antes dos anos 80 não era o fônico, mas o alfabético-silábico, baseado no ensino repetitivo de sílabas.

Não tem nada a ver com o fônico, que é baseado no ensino dinâmico do código alfabético, ou seja, das relações entre grafemas e fonemas em meio a atividades lúdicas planejadas para levar as crianças a aprender a codificar a fala em escrita, e, de volta, a decodificar a escrita no fluxo da fala e do pensamento.

O fônico é inteligente, lúdico e nada mecânico. Leva as crianças a serem alfabetizadas muito bem em quatro ou seis meses, quando passam a ler textos cada vez mais complexos e variados. Ele é tão eficaz em produzir compreensão e produção de textos porque, de modo sistemático e lúdico, fortalece o raciocínio e a inteligência verbal.

O Observatório Nacional da Leitura da França e o Painel Nacional de Leitura dos EUA afirmam sua clara superioridade, mas o MEC nunca deu à criança brasileira a chance de aprender com o fônico e colher seus frutos.

Segundo dados de Saeb, OCDE e Unesco, é o construtivismo que reinou absoluto e fracassou aqui e no resto do mundo. Ele tem produzido evasão e repetência escolar anuais de mais de 20%.

No entanto, para mascarar a repetência, rebaixou-se os critérios de aprovação obrigando as escolas a aprovar 60% dos alunos descobertos depois pelo Saeb como absolutamente incompetentes.

Folha - Críticos do método fônico dizem que há o interesse de seus defensores em ganhar dinheiro vendendo cartilhas para governos.

Capovilla - Sou professor e pesquisador em tempo integral na USP, onde trabalho 16 horas por dia, seis a sete dias por semana. Não tenho empresa ou clínica particular. Meus livros e palestras em alfabetização têm renda doada para custear pesquisas. Meu objetivo único é produzir conhecimento científico relevante em educação e saúde e convertê-lo em tecnologia para melhorar a qualidade de vida da população.

Se no último quarto de século construtivistas ganharam dinheiro vendendo livros e programas ineficazes de treinamento de professores, e se agora acusam alguns fônicos de querer fazer o mesmo, deve ser porque têm muito medo de largar o úbere governamental.

Folha - Na maioria das escolas de elite, o método não é o fônico. Por que ele seria bom para os alunos da rede pública?

Capovilla - Nas escolas de elite, estudam crianças de nível socioeconômico médio-alto e alto, cujos pais cultos dispõem dos recursos para estimular os filhos desde tenra infância.

De cada 100 crianças do ensino fundamental, 91 são da escola pública e vivem num mundo bem diferente. Se sua escola não souber ensinar, não terão outro meio de aprender.

Escolas particulares construtivistas não têm motivo de empáfia, pois, embora posem de imensamente melhores que as construtivistas públicas, empalidecem quando comparadas às públicas não construtivistas do planeta. Afinal, dos 5.000 brasileiros declarados incompetentes pela Unesco e OCDE, parte era dessas particulares. Elas não servem de modelo para a pública.

A população cuja única alternativa é a pública só estará protegida de um futuro de marginalidade, desemprego e subemprego se a escola for competente em ensinar. Mas, dos 35 milhões de crianças no ensino fundamental, a cada ano, o construtivismo reprova ou expulsa mais de 7 milhões. Contabilizado 25 anos, o tamanho do lesa-humanidade assombra.

No entanto, não terá sido em vão se servir para levar o Ministério da Educação a escolher melhor seus conselheiros e conceder à criança o direito de estudar numa escola voltada a competências e capaz de reaprender, com a criança, a arte e a ciência de desenvolver competências. Na alfabetização, essa escola é a fônica.

"Programa busca gerar leitores competentes"

DA SUCURSAL DO RIO

 

Folha - Por que construtivistas e defensores do método fônico brigam tanto?

Telma Weisz - A polarização que vem sendo estabelecida pelos defensores do método dito fônico não é entre estes e os construtivistas. Muitíssimos educadores que não se consideram construtivistas também não apóiam a idéia de que o método fônico seja a solução para a alfabetização no Brasil.

Mesmo os que não se vêem como construtivistas ou que aceitam apenas parcialmente esta teoria reconhecem, ao contrário dos defensores da volta ao método fônico, a importância das pesquisas e descobertas feitas na área da psicolingüística nos anos 70 sobre o processo através do qual as crianças se alfabetizam.


Folha - Estados Unidos, Inglaterra e França estão priorizando o método fônico. Por que remar contra a maré?

Weisz - O fato de esses países serem mais ricos não significa que devamos importar acriticamente tudo o que lá acontece. Estes movimentos de favorecimento do método fônico são reações a movimentos locais anteriores ocorridos nesses países.

Na França, onde há uma forte oposição ao movimento chamado de leiturização, cujo mais importante pensador é o professor Jean Foucambert, isso acontece exatamente porque este movimento pregava que a leitura deve ser ensinada sem qualquer informação sobre as correspondências entre letra e sons.

Nos Estados Unidos, a reação é ao movimento conhecido como linguagem total [whole language, em inglês], criado pelos lingüistas Keneth e Yeta Goodman. Este movimento, que se disseminou como um rastilho entre os professores americanos, também acreditava que a simples imersão no universo dos textos escritos seria suficiente para ensinar a ler e a escrever. Nós também questionamos a falta de importância que os Goodman davam às questões relacionadas à compreensão da natureza alfabética do nosso sistema de escrita e à aprendizagem dos valores sonoros convencionais das letras.

Mas não estamos remando contra a maré, apesar do sentimento de inferioridade que faz com que gente que conhece educação pelo lado do financiamento, mas nada sabe sobre didática, diga que só somos competentes para jogar futebol e que, para pensar a educação, não temos alternativa a não ser importar. Não só idéias, mas também práticas, sem considerar seus contextos de origem.

Folha - O MEC, ao abraçar teorias construtivistas nos PCNs, não beneficia autores dessa proposta com a compra de livros e prejudica os do método fônico?

Weisz - Os PCNs não são obrigatórios. Só as diretrizes definidas pelo Conselho Nacional de Educação é que são. Tanto quanto me lembro, elas não assumem o construtivismo nem se referem a cartilhas ou métodos. As compras do Programa Nacional do Livro Didático são orientadas pela avaliação de qualidade produzida por um grupo de professores de diferentes áreas. Se as cartilhas do método fônico estivessem sendo pedidas pelos professores, elas seriam compradas, mesmo que mal avaliadas.

Quanto a benefícios auferidos pelos defensores da teoria construtivista, do ponto de vista financeiro, são nulos. Os recursos didáticos produzidos para apoiar a formação dos professores como o Profa (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores), entre outros, são gratuitos pois os autores cederam os direitos autorais.

Quando se trata de livros didáticos, as cartilhas, algumas compostas de várias brochuras, são muito lucrativas, chegando a custar centenas de reais por aluno por ano. As discussões sobre métodos milagrosos costumam ter significativos interesses financeiros por trás.

Folha - O construtivismo parece funcionar muito bem em escolas particulares, mas, nas públicas, não seria melhor adotar o método fônico?

Weisz - Eu diria que é exatamente o contrário. Para os alunos das escolas particulares, que me desculpem suas esforçadas professoras, qualquer forma de ensinar funciona. Eles vêm de ambientes onde a escrita é muito presente tanto do ponto de vista da existência de material impresso como das práticas sociais que a envolvam. São os alunos das classes populares, que estudam na escola pública, que sempre fracassaram, e são eles que precisam de um atendimento mais dialógico.

Hoje sabemos que nenhuma criança chega à escola sem saber nada sobre a escrita. Mas os saberes das crianças que vêm de famílias usuárias da leitura e da escrita são muito mais avançados do que os saberes das que vêm de comunidades pouco escolarizadas. Elas precisam ser introduzidas no mundo da cultura escrita para entender do que o professor está falando quando informa sobre letras e sons. Para estas crianças, a escrita é um encadeamento de sinais gráficos aleatórios e elas precisam trabalhar e pensar bastante sobre este objeto sociocultural para chegar a compreender a relação entre letras e sons dentro de um sistema alfabético.

Fazer os alunos compreenderem o beabá sempre foi fácil para as escolas da elite, mas isso não basta. É preciso produzir leitores competentes. É isso que as escolas particulares buscam na metodologia construtivista. E é isso que queremos para todos, e não apenas para a classe dominante.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O que é Desenvolvimento Sustentável ?

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental

O que é preciso fazer para alcançar o desenvolvimento sustentável?
Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos.

Esse conceito representou uma nova forma de desenvolvimento econômico, que leva em conta o meio ambiente.

Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende.

Atividades econômicas podem ser encorajadas em detrimento da base de recursos naturais dos países. Desses recursos depende não só a existência humana e a diversidade biológica, como o próprio crescimento econômico.

O desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.