quarta-feira, 20 de março de 2013

RESUMO: INDAGAÇÕES SOBRE CURRICULO (Miguel G. Arroyo)

EDUCANDOS E EDUCADORES: SEUS DIREITOS E O CURRÍCULO

A reflexão sobre o curriculo está instalada nas escolas. Durante as últimas décadas, o currículo tem sido tema central nos debates da academia, da teoria pedagógica, da formação docente e pedagógica.
Miguel Arroyo indaga:
 Como está chegando o debate aos profissionais da educação básica?
Haverá um clima propício nas escolas ao repensar os currículos?
Para o autor a resposta é sim,  e nesse texto buscou-se focar as indagações que partem dos sujeitos da ação educativa, dos profissionais, educadores-docentes e dos educandos.

Educadores Indagam o currículo: Mudanças profissionais vem ocorrendo na educação, a identidade profissional vem sendo redefinida, o que os leva a ter uma postura crítica sobre sua prática e sobre as concepções que orientam suas escolhas.
Arroyo nos convida a refletir diante dessa postura: 

Que indagações sobre currículo vem dessa nova identidade profissional?

Pensemos em alguns núcleos de indagação que podem ser objeto de dias de estudo.

  • O currículo, seu ordenamento, suas hierarquias, a segmentação dos conhecimentos em disciplinas, cargas horárias não condicionam o nosso trabalho?
  • Os esforços por formas de trabalho docente mais humano não estão condicionados pelo ordenamento dos currículos?
  • Que mudar nesse ordenamento?
Ponto central> como condicionam nosso trabalho?

Percebemos que a organização curricular afeta a organização de nosso trabalho e do trabalho dos educandos.
O currículo, os conteúdos, seu ordenamento e sequenciação, suas hierarquias e cargas horárias são núcleo fundante e estruturante do cotidiano das escolas, dos tempos e espaços, das relações entre educadores e educandos, da,  diversificação que se estabelece entre os professores.
A organização de nosso trabalho é condicionada pela organização escolar, que por sua vez, é inseparável da organização curricular.

Indaga-se: 
  • Como a organização curricular condiciona a organização da escola e por consequencia do nosso trabalho?
  • Que organização dos curriculos e da escola tornará nosso trabalho mais humanos?
  • Que lógicas concepções, valores regem, legitimam essa organização?
  • São igualitárias, democráticas, inspiradas no referente político da garantia do direito de todos ao conhecimento, à cultura, à formação como humanos?
  • São lógicas que permitem a humanização do trabalho dos profissionais das escolas?
  • Que igualam ou hierarquizam os docentes?
Para o autor, a reorientação curricular terá de propor a mudar essas lógicas e valores.

Os educandos, sujeitos também centrais na ação educativa, são condicionados pelos conhecimentos a serem aprendidos e, sobretudo, pelas lógicas e tempos predefinidos  em que terão de aprendê-los.
Uma preocupação: é ter tantos alunos com problemas de aprendizagem e talvez muitos desses problemas sejam de aprendizagem nas lógicas temporais e nos recortes em que organizamos os conhecimentos nos curriculos.

mais indagações... 

  • Como os curriculos afetam o trabalho de administrar e de ensinar e o trabalho de aprender dos educandos?
Os educandos nos obrigam a rever os currículos

O curriculo vem conformando os sujeitos da ação educativa - docentes e alunos. Conforme suas vidas, produz identidades escolares: quem será o aluno bem sucedido, o fracassado, o aprovado, o reprovado, o lento, o desacelerado, o especial.

  • Como essas tipologias de aluno são produzidas pelas lógicas curriculares?
  • Como marcam as identidades das infâncias, adolescências e até da vida adulta?
Nossas vidas dependem do aluno que fomos, bem sucedidos ou fracassados na escola.

O ordenamento curricular não é neutro, é condicionado por essa  pluralidade imagens sociais, são a matéria prima com que configuramos as imagens e protótipos de alunos.

Revendo os currículos no espelho dos educandos

  • Que faremos para alimentar o debate sobre os curriculos a partir dos educandos?
Podemos começar por levantar as concepções reducionistas, fechadas dos educandos que ainda estão presentes quando preparamos as aulas ou as provas, quando pensamos a função social das escolas e da docência e quando são elaboradas políticas e propostas curriculares.


Empregáveis, mercadoria para o emprego?

Essa uma das imagens mais reducionistas dos educandos e dos curriculos.
As reorientações curriculares ainda estão marcadas pelas novas exigências que o mundo do mercado impõe para os jovens que nele ingressarão. As demandas do mercado, da sociedade, da ciência, das tecnologias e competências, ou a sociedade da informática ainda são os referenciais para o que ensinar e aprender.


"O mercado é pouco exigente em relação aos conhecimentos dos seus empregados. O que valoriza é a eficácia do fazer."

É sensato e profissional relativizar o papel das demandas do mercado na hora de indagar e reorientar currículos, É urgente recuperar o conhecimento como núcleo fundante do currículo e o direito ao conhecimento como ponto de partida para indagar os currículos.


O Direito aos saberes sobre o trabalho


  • Relativizando as demandas do mercado estaremos negando aos educandos seu direito à preparação para o trabalho? 
  • Teremos de separar educação-docência-currículo e trabalho?
O direito ao trabalho é inerente à condição humana, é um direito humano. Reconhecer o direito ao trabalho e aos saberes sobre o trabalho terá de ser um ponto de partida para indagar os currículos.
Portanto, equacionar o conhecimento, as competências e o currículo no referente do direito de todo ser humano, particularmente das novas gerações à produção cultural da humanidade, nos levará a um currículo mais rico, mais plural.


" Há muito conhecimento acumulado sobre os mundos do trabalho, sobre os processos de produção. Por que não abrir um debate sobre esses saberes e como os incorporar nos currículos?"

A pedagogia crítica dos conteúdos contribuiu para enriquecer os currículos com saberes sobre o direito à cidadania e sua negação, porém o direito ao trabalho, base da cidadania e de todos os direitos humanos e os saberes sobre o trabalho não tem merecido ainda a devida atenção nos saberes curriculares.


  • Perguntemo-nos o que impede que esses saberes sejam incorporados para enriquecer os currículos?

Desiguais nas capacidades de aprender?


Outra imagem presente e determinante da docência e da administração escolar é ver os alunos como desiguais perante o conhecimento, ou catalogá-los em uma hierarquia de mais capazes, menos capazes, sem problemas ou com problemas de aprendizagem, inteligentes e acelerados ou lentos e desacelerados, normais ou "deficientes".  As escolas não conseguem ver os educandos como iguais perante os saberes e a capacidade de aprendê-los.
Essa visão marcada pela desigualdade dos alunos perante o conhecimento é uma marca da cultura escolar.

" Para as ciências: Toda mente humana é igualmente capaz de aprender."






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